Fatores além da alimentação que influênciam no peso

O efeito sanfona pode acontecer por muitos motivos, não apenas pela alimentação. Muitas vezes, fatores externos acabam falando mais alto no peso do que o estilo de vida

A alteração do peso é resultado do equilíbrio e desequilíbrio entre a quantidade de energia (ou caloria) consumida e o total gasto pelo organismo. As grandes fontes de energia do corpo são basicamente três nutrientes, presentes nos alimentos que fazem parte do dia a dia: carboidratos, proteínas e gorduras.

Cada um fornece ao organismo uma quantidade de energia. Carboidratos e proteínas, por exemplo, abastecem o corpo com 4 Kcal por grama do nutriente, enquanto cada 1 grama de gordura representa 9 Kcal a mais para o organismo.

O que é gasto de energia e como ocorre?

No que diz respeito ao gasto, imagine que ele é a soma da quantidade de energia gasta durante a prática de exercícios e o valor total usado pelo corpo para realizar todas as funções como respiração, batimento cardíaco e contração muscular. Para esse movimento do corpo se dá o nome de metabolismo em repouso. Quando a quantidade de energia que você obtém através dos alimentos é igual ou muito próxima da quantidade gasta, não há alteração no peso, pois tudo que você consumiu foi utilizado pelo organismo. Desse jeito, não é necessário estocar o excedente.

Por outro lado, quando a quantidade de energia gasta é maior do que o total consumido com a alimentação, o corpo sente a necessidade de utilizar a energia estocada para compensar essa energia faltante. É nesse momento, por exemplo, que o organismo usa a gordura corporal. Pensando nisso, fica fácil entender o motivo pelo qual para emagrecer é preciso reduzir ou moderar a quantidade de alimentos e aumentar o gasto de energia, praticando exercício físico na maioria das vezes.

Caso a quantidade de energia obtida com a alimentação seja maior do que o total gasto, todo o excesso é estocado na forma de gordura. Portanto, é nesse momento que ocorre o ganho de peso. Sem dúvida, você já deve ter percebido que fazer a balança seguir o caminho do ganho é muito mais fácil, e gostoso é preciso dizer, do que seguir o caminho inverso. Há diversas justificativas para isso, muitas relacionadas ao nosso estilo de vida atual, entretanto, todas têm a mesma origem: a “programação econômica” do organismo.

Ficar sem comer ajuda a perder peso?

A resposta mais simples e direta é: não! Sair por aí reduzindo radicalmente a quantidade de alimentos não é a saída. O corpo vai até usar o estoque de energia, mas em pouco tempo entende que está em uma situação de risco e começa a buscar de todas as formas evitar a perda de energia e estimular o apetite.

A boa notícia é que sem restrições e com muito esforço e dedicação à reeducação alimentar o corpo compreende que não é preciso lutar contra o emagrecimento. Fornecer a ele a quantidade de energia que precisa, a partir de pequenas porções de alimentos em cada refeição, certamente contribui para que o organismo não sinta a obrigação de economizar. Ou seja, ele vai parar de estocar tudo em forma de gordura. A partir daí, a tarefa é ensiná-lo a registrar e conviver com o novo peso.

O ganho de peso não é um simples resultado de preguiça ou falta de controle ao comer. Na verdade, trata-se de um processo que envolve diversos fatores, desde genéticos e metabólicos até comportamentais.

Veja os principais influenciadores no ganho e perda de peso:

Ambiente

Encher a gaveta com biscoitos, doces, carregar sempre um pacote de balas ou bombom na bolsa e espalhar potinhos com docinhos sobre a mesa do trabalho é quase que pedir para cair em tentação, em especial quando a pressão ou estresse no trabalho aperta. Se o doce estiver sempre no campo de visão, beliscar será praticamente inevitável. Guarde os doces em potes escuros e coloque-os em uma prateleira alta, ou dentro de um armário distante.

Emoções

Não é segredo para ninguém que as emoções influenciam e muito o comportamento alimentar. Quando se está triste, come; se não tem o que fazer, come; se está ansioso, come. Essa é geralmente a dinâmica das emoções sobre a alimentação, e não é difícil entender o porquê. A vontade de comer está relacionada ao prazer, a sentir o sabor, degustar, apreciar as experiências vividas. Portanto, para uma mudança definitiva no estilo de vida, se manter emocionalmente saudável é um pré-requisito.

Mídia

De olho na tendência de corpos magros, as dietas “milagrosas” para o emagrecimento rápido surgem, levando as pessoas a adotar práticas alimentares de risco. Mas não se engane. Cair nesse conto é muito perigoso para a sua saúde. Ao se sentir insatisfeito com o próprio corpo, pense que essa insatisfação nada mais é do que o resultado de uma oposição entre a forma como você se enxerga (que nem sempre é a mesma forma como você é visto pelos demais), e o padrão de beleza considerado ideal por você. Lembre-se que esse padrão não necessariamente foi escolhido por você, mas sim imposto e transmitido pela mídia.

Pessoas

Se relacionar com os demais é uma necessidade. E são essas relações que constroem nossos comportamentos e hábitos. Entenda e se questione o quanto tem tomado atitudes sob influência dos outros, simplesmente para se sentir parte do contexto. Escolher o que é melhor para você, e aceitar as diferenças é uma atitude de respeito e deve começar com seu próprio respeito por suas necessidades e objetivos.

Desvende os seus próprios influenciadores!

Faça um diário e anote tudo o que come, como se sentiu após cada refeição, quantos quilos já eliminou, como foi o treino, como se sentiu após os exercícios, quais as dificuldades enfrentadas a cada dia, como as superou, quais foram as conquistas e falhas. Assim, fica mais fácil acompanhar e reconhecer o progresso, identificar as situações que te levam ao excesso alimentar e assim, evitar ficará mais fácil, bem como identificar os pontos em que é preciso melhorar.