Beleza

O lado obscuro das dietas detox

Atualizado em 9 de novembro de 2016
O lado obscuro das dietas detox

Nove em cada 10 pessoas que fazem dietas restritivas falham e as dietas detox não são diferentes

Todo mundo quer ser mais saudável e por isso as dietas desintoxicantes, ou detox, têm ganhado força. Porém, apesar de estar na moda, não existe comprovação científica que valide esse tipo de alimentação. Na verdade, o “detox” não é propriamente uma dieta. Apresentada em diversas versões, em geral, costuma utilizar alimentos líquidos, como sucos, e pode indicar a exclusão de algum ingrediente ou componente, como o açúcar ou o glúten, por exemplo, o que a caracteriza como uma dieta de exclusão.

Porém, nenhuma dieta restritiva pode ser considerada saudável, mesmo que rica em vegetais e frutas, pois o corpo precisa da energia vinda de diversos nutrientes e, por isso, é necessário o equilíbrio, e não uma eliminação radical. A nutricionista da Recomendo Assessoria em Nutrição, Marcia Daskal, salienta que “a possível perda de peso decorrente desse modismo se dá principalmente pela perda de líquido e massa magra, decorrente da restrição de energia, o que não faz parte de um processo de emagrecimento saudável e, por isso, não é positivo para a saúde”.

Essa falta de energia pode, inclusive, causar problemas como fraqueza, mal humor, dor de cabeça e pensamento lento. “Dependendo da intensidade e da duração da dieta, pode haver gosto ruim na boca e cheiro de amônia no suor e hálito, o que é um processo decorrente do uso de massa magra como fonte de energia, conhecido como cetose. O corpo poupa energia, diminui o metabolismo e entra em modo de estoque”, completa a nutricionista.

 

Detox X atividades físicas

Quando uma pessoa pratica atividade física, deve se alimentar de maneira equilibrada. Por isso, para esse caso, também não se deve optar por restrições na alimentação. O preparador físico Marcio Atalla exemplifica afirmando que “os sucos detox, por exemplo, tem como benefício a presença de sais minerais e vitaminas, mas, por outro lado, na maioria das vezes, faltam calorias e nutrientes, como carboidrato, proteínas e gorduras. Por isso, essa ‘dieta’ também não é recomendada para atletas e/ou praticantes de exercícios físicos”.

De acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas, “mesmo sendo disseminada pela mídia como sinônimo de emagrecimento, saúde e estratégia de limpeza das toxinas do corpo, faltam evidências científicas que amparam a utilização de dietas “detox” ou desintoxicantes. Além disso, sua utilização não é condizente com os princípios da alimentação adequada e saudável”.

Isso vale também para pessoas com doenças relacionadas à alimentação e estilo de vida. Segundo o Dr. Marcio Mancini, endocrinologista responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, “pessoas obesas ou diabéticas também não devem aderir às chamadas ‘dietas detox’, pois não há estudos que mostrem sua eficácia e segurança. Os profissionais não devem recomendá-las porque podem estar sujeitando os pacientes a um aumento de morbidade e tratamentos inúteis”.

A principal orientação e conclusão é de que não há evidências e benefícios que sustentem a prescrição das “dietas detox”. Além disso, é importante reforçar que apenas nutricionistas e médicos podem prescrever ou opinar sobre dietas, pois, legalmente, são os únicos profissionais habilitados para fazer este acompanhamento.

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