O que causa insônia? Pode ser a genética

Se você dorme mal e não consegue um remédio para insônia, saiba que a causa pode estar nos seus genes, segundo pesquisa

O que causa a insônia? Existem muitos fatores externos que podem resultar na dificuldade para dormir ou impossibilidade de pensar no sono durante uma noite toda. O fato é que os distúrbios do sono afetam cerca de 40% dos brasileiros, segundo dados apurados pelo Instituto Brasileiro do Sono. Isso significa que quase metade do nosso país enfrenta problemas na cama.

E uma nova pesquisa sobre a insônia aponta resultados intrigantes. Liderada pela Universidade de Exeter e publicada na revista científica Nature Communications, o estudo encontrou 47 ligações entre o nosso código genético e a qualidade, quantidade e tempo de sono. Eles incluem 10 novas ligações genéticas com a duração do sono e 26 com a qualidade do sono.

O estudo foi financiado pelo Medical Research Council e analisou dados de 85.670 participantes do banco britânico Biobank, além de 5.819 indivíduos de outros estudos. Eles usaram dispositivos vestíveis para medir a duração do sono durante sete dias, que forneciam informações mais detalhadas sobre seus hábitos de sono.

Entre as descobertas está um gene chamado PDE11A. A equipe de pesquisa descobriu que uma variante incomum desse gene afeta não apenas quanto tempo você dorme, mas também sua qualidade de sono. Dessa forma, o gene foi identificado como um possível tratamento para pessoas com transtornos associados à estabilidade do humor e aos comportamentos sociais. Isso provavelmente trará avanços no setor de remédios para insônia.

A pesquisa envolveu profissionais do Centro para o Sono e Neurobiologia Circadiana na Pensilvânia, no Hospital Geral de Massachusetts, bem como na Holanda, França e Suíça. Coletivamente também foi possível descobrir genes ligados ao sono de qualidade que também estão relacionadas à produção de serotonina. Sabe-se que este hormônio desempenha um papel fundamental nos ciclos do sono e ajuda a promover um sono mais profundo e tranquilo.

Síndrome das pernas inquietas e insônia

O grupo de pesquisadores também encontrou mais evidências de que a Síndrome das Pernas Inquietas está ligada ao pior sono das variantes genéticas que parecem estar associadas a medidas de sono derivadas dos dados do acelerômetro.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Sono, os movimentos mais frequentes relacionados com o sono são os movimentos bruscos do corpo, os abalos musculares, o movimento periódico das pernas e a síndrome das pernas inquietas, que acontecem geralmente no início do sono.

Pacientes que sofrem com a síndrome das pernas inquietas afirmam sentir um irresistível movimento de membros inferiores acompanhado de sensações de “arrastamento” das pernas. Estes movimentos podem fazer o paciente acordar, o que pode diminuir o sono e causar a insônia.

Outras causas da insônia

É claro que existem pessoas que não são insones crônicas, mas passam por períodos de sono atribulado, o que não necessariamente significa que sofram com distúrbios do sono ou precisem de remédio para insônia.

Conheça alguns desses casos, listados pelo Instituto Brasileiro do Sono:

Terror noturno

Cerca de 3% das crianças apresentam o quadro em algum período de sua vida, especialmente entre 5 e 7 anos de idade. Por outro lado, menos de 1% dos adultos apresentam este distúrbio do sono. A pessoa com terror noturno costuma sentar-se na cama com expressão de medo e batimentos cardíacos elevados, respiração rápida e sudorese. Os episódios levam em média de 30 segundos a 5 minutos. De maneira geral, quem sofre com isso volta a dormir em seguida, sem se lembrar do episódio. Febre ou emoções marcantes, como alegria, tristeza e raiva podem ser gatilhos.

Apneia do sono

Mais comum do que parece, a apneia, condição que causa muitas vezes o ronco, é nada mais que que a frequente obstrução total (apneia) ou parcial (hipopneia) das vias aéreas superiores durante o sono, causando diminuição da oferta de oxigênio ao organismo. E para se manter vivo o corpo precisa acordar subitamente para voltar a respirar, levando à privação de sono. Grupos de risco são

  • Pessoas obesas
  • Homens
  • Pessoas com alterações craniofaciais (queixo pequeno e língua grande, por exemplo)
  • Aumento do tamanho das amígdalas e adenoide
  • Aumento da circunferência cervical
  • Obstrução nasal
  • Familiares com história de ronco e apneia do sono
  • Anormalidades endócrinas (como doenças da tireoide e acromegalia)
  • Uso de álcool, tabagismo ou uso de calmantes
  • Cansaço excessivo
  • Idade avançada

Ansiedade

As crises de ansiedade, podem englobar depressão, obsessão e pânico. Mas, além disso, podem também levar à insônia ou a um padrão de sono pouco regular. Ou seja, você pode acabar sentindo muito sono quando não se pode dormir e pouco sono na hora de descansar.

Fonte: Eurekalert, IBGE e Instituto Brasileiro do Sono