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3 mitos e verdades sobre obesidade infantil

21 de fevereiro de 2017
3 mitos e verdades sobre obesidade infantil

Dá para evitar? A genética fala mais alto? É possível tratar apenas com a dieta? Entenda

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta: cerca de 41 milhões de crianças menores de 5 anos apresentam excesso de peso (que seria sobrepeso ou obesidade). Os números estão no relatório “Pelo Fim da Obesidade Infantil” (Ending Childhood Obesity), de 2016. Segundo o documento, nos últimos 25 anos, a prevalência de sobrepeso saltou de 31 milhões (4,8%) para 41 milhões (6,1%) de crianças.

Para Sophie Deram, nutricionista com doutorado no departamento de endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora na área de obesidade infantil, a maioria dos programas de “combate” à obesidade infantil incentiva as crianças a “fechar a boca e malhar”, ou seja, é a responsabilidade da criança reduzir o que ela come e aumentar exercício físico com a ajuda dos adultos ao seu redor.

A noção de “combate” pressupõe que a criança obesa de alguma maneira tem uma responsabilidade na situação na qual se encontra. Existe uma estigmatização da criança obesa como sendo preguiçosa e sem nenhuma força de vontade ou disciplina.

Isso prejudica muito essas crianças que, na realidade, estão presas num corpo que se adaptou ao meio ambiente no qual vivem, sem saber o que fazer para mudar a situação. Isso pode até levá-las a sofrer bullying.

Apenas alguns casos são geneticamente inevitáveis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) é clara sobre isso: a obesidade é evitável, mas é difícil de tratar. Quando se estuda a genética da obesidade se vê que há mais do que 500 fatores genéticos associados à obesidade. Quem puxa o gatilho é o estilo de vida e também o estresse psicológico, medicamentos, desregulamento de hormônios, falta de sono e muito mais. Não é só comer demais e ser preguiçoso!

Tentativas de tratamento com dietas, remédios e cirurgia, não têm dado resultados satisfatórios e têm muitos efeitos secundários. O corpo volta a engordar na maioria das vezes. Por que? Porque a obesidade é uma adaptação do corpo ao seu meio ambiente e quanto mais se agride o corpo, mais ele reage engordando.

Diante desses números, a nutricionista Ana Paula Del´Arco, desvenda quatro mitos sobre a obesidade infantil.

1. Se sou obeso, meu filho também será. É a genética.

Mito. De fato pais obesos incorrem em grandes chances de terem filhos obesos, mas não por fatores genéticos e sim por fatores comportamentais. Apenas 5% dos casos de obesidade são genéticos, em torno de 10% de causas hormonais, que são tratáveis, e o restante derivados de maus hábitos de vida, sejam alimentares e/ou de atividade física. É importante que os pais deem o exemplo de alimentação saudável e prática de exercícios.

2. Meu filho não gosta de tomar café da manhã, por isso faço um almoço reforçado para resolver o problema.

Mito. Atualmente é comum observarmos uma omissão de refeições na alimentação da criança, em especial o café da manhã. No entanto, salientamos sua importância, é uma prática que deve ser incentivada bem como o consumo de frutas, hortaliças e lácteos, alimentos estes que deixam de ser consumidos pelas crianças quando não incentivados pelos pais.

3. Meu filho está um pouco além do peso, mas vou me preocupar com isso quando ele for mais velho.

Mito. A obesidade não é uma questão de estética pois traz graves problemas. Desde doenças cardiovasculares, renais, gastrointestinais até distúrbios psicológicos como depressão e distúrbios alimentares. Pais devem ficar atentos e fazer acompanhamento médico para que tenham alimentação equilibrada e um crescimento saudável.

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