Equilíbrio

A representatividade de ter bonecas negras

Atualizado em 10 de outubro de 2019
A representatividade de ter bonecas negras

Autoestima, identidade e formação da autoimagem elevam a importância de presentear uma criança com bonecas em que possa se enxergar

“Era uma vez uma menina linda, linda.

Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros.

A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.
Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fita coloridas. Ela ficava parecendo uma princesa das terras da África, ou uma fada do Reino do Luar.

E, havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida.”

Trecho do livro “Menina Bonita do Laço de Fita”, de Ana Maria Machado

Pare um dia para olhar as prateleiras de lojas de brinquedos.

Quantas bonecas realmente expressam a diversidade em que você vive?

Quantas delas realmente se parecem com as suas filhas? Ou com as que pode vir a ter?

A menos que a pequena seja loira de olhos azuis, o mercado não oferece opções que representem toda a diversidade étnica da realidade.

Isso fica ainda mais raro quando se trata de bonecas negras. Porém, apesar de pouca oferta, há cada vez mais brinquedos com características étnicas além dos cachos louros e olhos azuis.

As crianças, de certa forma, projetam a autoimagem buscada nas bonecas, o que se torna especialmente conflitante para alguém que não enxerga nenhuma de suas características em seus próprios brinquedos.

Para o pesquisador Lair Amaro, “entender o significado político de uma boneca negra é perceber que o ato de presenteá-la a uma criança negra vai além de um mero brinquedo.

Quando os pais presenteiam com boneca que reproduz suas características físicas, acontece o estímulo para o desabrochar da elevação da autoestima da criança.

A conexão afetiva que a criança desenvolve com a boneca, encoraja o olhar de reconhecimento da sua própria identidade, onde ela aprende a beleza de ser ela mesma e voltar isso para a sociedade com naturalidade.

Além disso, é necessário que todas as crianças tenham brinquedos diversos e de diversas etnias, para que cresçam com consciência de que diferenças são normais, e fazem da nossa sociedade um ambiente plural único.

Para a jornalista Ana Cláudia Luiz, integrante do coletivo de mulheres negras BláBláObá “é uma questão de representatividade que deve ser cultivado e incentivado desde criança, principalmente se for uma Barbie”.

“Eu não me lembro de pedir, mas sempre tive porque meus pais sempre me davam, eu tinha Barbies negras e algumas bonecas”.

A tocha foi passada, as bonecas de Ana Cláudia foram um presente para sua sobrinha, que apesar da pele mais clara e dos cabelos cacheados, se reconhece como negra e sente tal pertencimento em toda a família.

 

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