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Adolescentes obesos podem ser “viciados” em comida

Atualizado em 21 de maio de 2019
Adolescentes obesos podem ser “viciados” em comida

Relação de adolescentes obesos com a comida é similar ao impulso de dependentes químicos por drogas

De acordo com números divulgados em 2013, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que 2,8 milhões de pessoas morrem por ano em virtude de peso excessivo. Para entender a neurobiologia da obesidade em jovens, pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo estão avaliando 120 adolescentes de 12 a 17 anos, dos quais 60 são obesos e 60 apresentam Índices de Massa Corporal (IMCs) normais. “Procuramos adolescentes nessa faixa etária porque é quando o cérebro ainda não sofreu alterações resultantes da obesidade.

Assim, conseguimos mapear as principais alterações que ocorrem no cérebro de adolescentes obesos”, explica o Dr. Ricardo Riyoiti Uchida, psiquiatra coordenador da pesquisa e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que trabalha neste estudo com a Prof.ª Dra. Cristiane Kochi, do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Em análise preliminar de imagens de ressonância magnética cerebrais demonstrou-se um aumento de córtex órbitofrontal em adolescentes obesos. E este aumento é proporcional a escalas de avaliação de dependência alimentar. Esta mesma região já foi envolvida em estudos anteriores com aumento da valência de prazer diante de alimentos saborosos em pessoas obesas.

Esta parte do cérebro é responsável pelo nosso controle de impulsos. Em adolescentes obesos, identificamos uma diminuição volumétrica nesta região. Em conjunto, estes dados sugerem maior prazer e menos controle dos impulsos diante da comida“, afirma o Dr. Uchida.

O pesquisador explica que alteração similar é notada também em dependentes de drogas, álcool e jogos. A dependência é assim definida quando se encaixa em alguns fatores: o consumo de porções cada vez maiores para obtenção de prazer, falta de controle nos impulsos e período de abstinência, que é quando a pessoa não obtém a fonte de prazer e é acometida por uma grande incômodo.

Dessa forma, com base nos resultados prévios da pesquisa, adolescentes obesos enfrentam esses problemas e podem chegar à obesidade por dependência de alimentos altamente calóricos, os chamados “trash foods”. “São comidas bastante prazerosas e que estão bastante ligadas a fatores psicológicos”, comenta o professor. “O sentimento de recompensa atrelado ao hábito de comer faz com que a pessoa obesa perca o controle no impulso pela comida. Então, ela se sente muito melhor quando consome esse tipo de alimento e consome porções cada vez maiores. E é exatamente este hábito que preocupa e traz sérios danos à saúde”, completa.

A pesquisa, que está em análise, deve ser finalizada em aproximadamente um ano. “Precisamos ainda de 25 adolescentes com IMCs normais para dar andamento ao estudo, pois pretendemos estabelecer as diferenças estruturais na morfologia cerebral como indicativo de operações funcionais em regiões que regulam o apetite e o controle de impulso em adolescentes obesos”, finaliza Dr. Uchida.

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