Relacionamento

Crianças e tecnologia: qual é a dose certa?

Atualizado em 1 de fevereiro de 2019
Crianças e tecnologia: qual é a dose certa?

Apesar de ser prejudicial em excesso, a tecnologia pode até ajudar no desenvolvimento dos pequenos

As crianças são expostas, cada vez mais cedo, a celulares, tablets e computadores. O uso exagerado desses aparelhos pode gerar complicações futuras para os pequenos. A presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), dra. Vera Ferrari Rego Barros, afirma que os dispositivos eletrônicos podem causar dependência, se forem o único meio de estimulação que as crianças tiverem. “Quanto mais prazer oferecem, mais a criança quer utilizar, abrindo mão de uma série de atividades essenciais para o desenvolvimento”.

 

Ela explica que a criança precisa estimular a atividade corporal e o convívio social, pois a partir do contato com o outro ela passa a desenvolver seus limites físicos e emocionais, a afetividade, a capacidade de aprender e as funções motoras. Além disso, as brincadeiras, especialmente em grupo, também são necessárias para prevenir o sedentarismo, causador de diversos transtornos, incluindo a obesidade.

“Quanto mais a criança fica na frente de uma televisão, menos ela se movimenta e menos vontade tem para se exercitar. Isso pode alterar, também, o padrão de alimentação, já que ela passa a pegar qualquer coisa para comer, na maioria das vezes salgadinhos, que ela pode engolir, sem saber sequer o que está comendo”, alerta a psicanalista.

 

A Academia Americana de Pediatria veta os meios eletrônicos para crianças de até 2 anos, preconizando que os estímulos necessários para o desenvolvimento estão longe desses veículos e que eles podem atrapalhar o desenvolvimento cognitivo e motor.

Os pais devem impor limites, restringindo o uso e os conteúdos acessados por seus filhos. “Falta maturidade emocional nas crianças para lidar com o que está disponível, especialmente na internet. É muito fácil acessar sites com conteúdos inadequados, inclusive ligados à violência e à sexualidade. É preciso uma figura de autoridade em casa que faça o controle da utilização – eles são responsáveis por investigar o que eles vêem e pensam sobre as informações, estabelecendo sempre um diálogo”, ensina.

Se utilizado com ressalvas e cautela, os aparelhos eletrônicos podem, também, contribuir positivamente para a vida da criança. “Existe, sim, aspectos positivos, como ajudar na percepção de sons, imagens e cores, para a criança pequena, deixar a criança mais ágil e estimular o raciocínio. Claro, esses e outros estímulos são encontrados na atividade física, que exige bem mais da criança e contribui para um desenvolvimento completo. O mundo não retrocederá e a tecnologia estará sempre presente, por isso é importante construir uma atitude crítica frente ao uso desses aparelhos.”

Dra. Vera assegura, ainda, que proibir não é a solução. “Em si, os dispositivos eletrônicos não são veículos ruins ou nocivos para a criança. Assim como o remédio e o veneno, tudo depende da dose”.

Leia Também

A representatividade de ter bonecas negras

A representatividade de ter bonecas negras

Aprender música faz bem para as crianças

Aprender música faz bem para as crianças

Silicone atrapalha a amamentação? Entenda

Silicone atrapalha a amamentação? Entenda

Como fazer o casamento dos sonhos sem gastar muito

Como fazer o casamento dos sonhos sem gastar muito

Como melhorar a alimentação de crianças que comem mal?

Como melhorar a alimentação de crianças que comem mal?

Curta nossa página

Siga no Pinterest