Família: importante aliada na perda de peso

Psicóloga afirma que a perda peso deve ser encarada como um objetivo comum entre familiares

O que pode parecer apenas um incentivo para fazer filhos, pais e cônjuges perderem peso, pode ser extremamente cruel para quem é obeso e precisa emagrecer. Segundo a psicóloga Maria Aparecida das Neves, especialista em transtornos alimentares. “Existe uma pressão familiar para o obeso emagrecer, pois há uma cultura da magreza. Já está incutido na cabeça das pessoas que o politicamente correto é ser magro”, considera a especialista.

Entretanto, a psicóloga afirma que nem sempre o processo de perda de peso é simples. “Muitas vezes, existem problemas hormonais, de saúde e emocionais envolvidos, o que impede que se alcancem melhores resultados”, diz. Por isso, segundo a especialista, o apoio da família é fundamental. “Não adianta pressionar para que a pessoa emagreça. Alfinetar só diminui a autoestima”.

A psicóloga acredita que o melhor é apoiar e mostrar parceria nessa busca. A família deve fazer uma corrente em prol daquele que precisa emagrecer, aumentando a oferta de alimentos saudáveis e diminuindo o consumo de alimentos que possam prejudicar o resultado. “Pelo menos no início, o emagrecimento deve ser um objetivo comum, um esforço de grupo para alcançar resultados satisfatórios”, considera.

Para ela, criar um ambiente propício, colaborativo e acolhedor é fundamental. Uma das formas de aumentar a adesão a esse novo estilo de vida é conscientizar sobre as necessidades orgânicas de uma boa alimentação. “A pessoa que está fazendo regime, seja criança ou adulta, precisa saber que deve consumir proteínas, FIBRAS, vitaminas. Quando se tem essa consciência desde criança, ela passa a ser natural”, considera. Por isso, ela recomenda que os pais expliquem às crianças para quê serve cada alimento, qual sua função na dieta e que benefícios ele trará.

A psicóloga diz que já atendeu crianças de quatro anos preocupadas com seu próprio peso. Se houver exagero – se a preocupação for muito prematura ou se houver distorção da realidade e da percepção do próprio corpo – deve-se procurar ajuda médica. Nesses casos, a psicoterapia é indicada. Maria Aparecida diz ainda que há crianças que chegam ao consultório querendo emagrecer, pois não querem repetir os padrões de pais e outros familiares. Por isso, PERDER PESO deve ser um projeto de toda a família.

Quando quem precisa emagrecer é uma criança, a dica da psicóloga é negociar a quantidade e qualidade de alimentos consumidos. Vale remanejar calorias, realizar uma atividade física cada vez que consumir um alimento mais calórico, trocar o recheio de um sanduíche por uma opção mais leve. “O que não pode é ser radical, proibir terminantemente – a não ser por recomendação médica”, aconselha.

Lembrar à criança de que essa troca pode significar a melhora da qualidade de vida também é uma boa saída. “Conversar sobre as dificuldades de acompanhar as atividades físicas dos colegas, sobre como pode ser bom correr mais livremente e ter mais disposição é animador”, diz.