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Desafios do combate à obesidade infantil: causas e consequências

Atualizado em 10 de abril de 2019
Desafios do combate à obesidade infantil: causas e consequências

O Brasil terá 11,3 milhões de crianças obesas em 2025, segundo dados da Federação Mundial da Obesidade, órgão coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Atualmente, uma em cada 3 crianças brasileiras está com sobrepeso. Segundo o o professor Hugo Tourinho Filho, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP “em 1989, as crianças que apresentavam sobrepeso no Brasil representavam apenas 15%; esse número pulou hoje para 35%”. Naquele ano, apenas 4% das crianças eram obesas.

A tendência é que crianças obesas se tornem adultos obesos. E as implicações disso podem começar ainda na infância, como:

  • Diabetes tipo 2
  • Pressão arterial alta e níveis altos de colesterol no sangue
  • Doença hepática
  • Problemas ósseos e nas articulações
  • Problemas respiratórios, como asma
  • Distúrbios do sono, como dificuldade em respirar durante o sono (apneia do sono)
  • Menstruação ou puberdade antes do tempo
  • Distúrbios alimentares como anorexia ou bulimia
  • Infecções de pele devido à umidade do suor que fica nas dobras da pele
  • Fadiga

Além das implicações para a saúde física das crianças, a obesidade infantil também pode causar outros problemas de ordem psicológica. Alguns deles podem acompanhar essas pessoas por toda a vida, mesmo após o emagrecimento. Conheça alguns:

  • Maior propensão a sofrer provocações e bullying
  • Maior propensão a praticar o bullying
  • Baixa autoestima e isolamento social
  • Risco maior de depressão
  • Habilidades sociais mais pobres
  • Altos níveis de estresse e ansiedade
  • Problemas de comportamento e/ou aprendizagem como resultado de dificuldades psicológicas relacionadas à obesidade infantil

Alimentação e ansiedade infantil

Uma das causas da obesidade infantil é uma alimentação pobre em nutrientes e rica em calorias, impulsionada pelo consumo de produtos industrializados cheios de sódio, açúcares e gorduras trans.

É claro que toda criança gosta de comer um docinho ou um salgadinho, mas fazer disso uma regra pode custar muito caro para a saúde dos pequenos.

Mas uma pesquisa da Duke University com crianças entre 2 e 5 anos, apontou que a chatice da criança para comer pode não ser apenas seletividade. Algumas delas podem apresentar distúrbios psicológicos, como ansiedade e depressão.

Na amostra da pesquisa, 20% das crianças eram do tipo “chatas para comer”. Em comparação às crianças com alimentação menos seletiva, elas apresentavam mais probabilidade de ter sintomas de depressão e ansiedade. Os que tinham mais dificuldades para comer, cerca de 3% da amostra total, mostravam sintomas mais graves.

Como incentivar as crianças a comer melhor

  • Tente fazer do ato de comer uma experiência memorável
  • Traga a criança para esse momento, desde as compras até o preparo
  • Deixe a criança ajudar no processo de preparação do alimento, isso incentiva bastante
  • Introduza novos alimentos de maneiras diferentes, como uma aventura
  • Tente outra vez, caso não dê certo, até que as crianças se sintam confortáveis com aquele sabor

Veja algumas dicas para cozinhar junto com as crianças e transformar a hora da refeição em um momento esperado e feliz, não na hora da bronca.

Personagens obesos estimulam maior consumo de comida

Uma pesquisa realizada pela Colorado State University e publicada no Journal of Consumer Psychology descobriu que personagens de desenhos animados mostrados como acima do peso, como Shrek e Homer Simpson, podem “ativar o estereótipo do sobrepeso” nas crianças, fazendo com que comam mais do que deveriam.

Segundo a autora do estudo, Margaret C. Campell, as crianças têm uma “tendência a comer quase duas vezes mais alimentos menos saudáveis do que as crianças que estão expostas a personagens de desenhos animados mais saudáveis ou a nenhum personagem”.

Isso significa que seu filho deve parar de assistir desenhos? De jeito nenhum! Mas significa que a alimentação precisa ser um tema discutido, conversado, leve e não apenas imposto.

O estudo também apontou que a tendência a comer “porcarias” foi reduzida se as crianças tinham de recorrer a seus conhecimentos de saúde antes de assistir aos desenhos com esses personagens.

Ou seja, conversando todo mundo se entende.

 Saúde começa desde a primeira infância

Crianças começam a comer mal muito cedo e isso é um grande desafio contra a obesidade infantil. Uma pesquisa realizada pela Nestlé revelou que as crianças estão adquirindo hábitos alimentares pouco saudáveis cada vez mais jovens. Pesquisadores da Escola de Medicina e Ciências Biomédicas da Universidade de Buffalo revelaram que quanto mais cedo as crianças forem expostas a alimentos pouco saudáveis, popularmente, maior é a possibilidade de terem problemas de saúde por toda a vida, como:

  • Hipertensão arterial
  • Derrames
  • Certos tipos de câncer (endometrial, mama e cólon, entre outros)
  • Doença cardíaca
  • Doença hepática
  • Diabetes tipo 2
  • Demência

Praticidade não é desculpa para má alimentação

Todo mundo sabe que abrir um pacote de salgadinho é muito mais fácil do que preparar petiscos saudáveis para as crianças. Afinal, hoje em dia todo mundo corre muito e o tempo é cada vez mais escasso.

Mas é possível fazer um planejamento para criar o hábito de comer melhor. Por exemplo, é possível tirar uma tarde para preparar lanches saudáveis para as crianças comerem por toda a semana.

Você pode aproveitar e preparar para você também, afinal, todo mundo sente aquela fominha no meio do dia, não é mesmo?

Abuse de cereais, oleaginosas e grãos que podem ser importantes aliados e ajudar nessa tarefa de nutrir pequenos seres para que se tornem grandes pessoas saudáveis e felizes.

Veja dicas para fazer uma lancheira mais saudável para as crianças (e para você, por que não?), isso pode ajudar muito nessa hora.

Sedentarismo infantil: aprenda a combater

Crianças gostam de correr, pular e suar. Certo? Nem todas, especialmente se o sobrepeso já estiver instaurado, a fadiga começa a tomar conta e a situação vira uma bola de neve, isso é um dos desafios do combate à obesidade infantil. Mas é possível, sim, ajudar a combater o sedentarismo infantil de maneiras simples:

  • Desligue-se dos eletrônicos e incentive isso também nas crianças
  • Seja o exemplo. Crianças se espelham em adultos e pais ativos são um excelente começo
  • Brinque junto com eles, corra, pule, role, dance e transforme isso em diversão
  • Incentive, seja fã, vá às competições, mostre como isso pode ser bacana

Fonte: Child Obesity Foundation (Canadá)

 

 

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