Saúde

Mitos e verdades sobre a pílula anticoncepcional

Atualizado em 23 de setembro de 2016
Mitos e verdades sobre a pílula anticoncepcional

Contraceptivo não prejudica a fertilidade e pode ainda prevenir problemas de saúde, mas é preciso cautela

A pílula anticoncepcional, lançada no mercado há mais de 56 anos, foi um marco importante para a independência feminina e atualmente é um dos métodos contraceptivos mais utilizados pelas mulheres.

Atualmente, o contraceptivo oral tem taxa de eficácia em torno de 99% e, além de impedir a gravidez, também é benéfico em muitas situações, segundo o dr. Paulo Margarido, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana. “A pílula pode ser utilizada para tratar diversas condições no organismo da mulher, como sangramento aumentado, síndrome do ovário policístico, pólipos, cistos no ovário, acne, endometriose, regularização do ciclo menstrual, entre outros. Além disso, diminui as chances de câncer no endométrio, pois o contraceptivo favorece a proteção da membrana, e protege contra câncer de ovário”, ressalta.

Porém, quando utilizado sem orientação médica, a pílula pode ser prejudicial à saúde, além de produzir diversos efeitos colaterais relacionados ao uso do anticoncepcional quando feito sem orientação de um especialista. “É importante visitar um ginecologista antes de começar o tratamento com pílula, pois as indicações e reações podem variar de mulher para mulher. Caso a paciente comece a usar pílula sem orientação, ela corre riscos de efeitos colaterais e até gravidez indesejada”, conta o doutor Paulo.

As pílulas anticoncepcionais podem conter na sua composição estrogênio e progesterona juntos, por isso, apenas o especialista pode indicar uma pílula que tenha menos efeitos colaterais, com menor taxa de hormônios. “Em algumas mulheres o medicamento pode provocar reações como vômito, tontura, cansaço, dor de cabeça, enjoo, ganho de peso, mudança de humor, diminuição da libido ou varizes, e até alterações mais graves como trombose e tromboembolia pulmonar. Se necessitar de cirurgia, a pílula deve ser interrompida quatro a seis semanas antes do procedimento e medidas de prevenção de tromboses devem ser orientadas”, alerta o especialista.

O profissional também afirma que há chances da paciente que usa a pílula desenvolver dor de cabeça, enxaqueca, maior retenção de líquido ou ganho de peso, mas não é uma regra. “Esses efeitos ocorrem por causa do estrogênio presente na maioria dos anticoncepcionais que pode desencadear aumento de apetite, e a progesterona pode induzir a retenção de líquido, deixando a mulher mais inchada”, explica o doutor Paulo.

Ao iniciar a pílula anticoncepcional algumas mulheres notam um sangramento de escape (mais comum durante a primeira cartela do remédio). As pílulas com doses baixas de estrogênio tendem a causar esse sangramento com mais frequência, porém tem efeitos colaterais menores que as pílulas de alta dose (progesterona). Mas o sangramento tende a diminuir e desaparecer com o tempo.

Doutor Paulo Margarido ainda alerta sobre os riscos de associar o anticoncepcional com outros medicamentos. “As pílulas anticoncepcionais também podem ser contraindicadas e perderem a ação ou ter sua eficácia diminuída quando consumidas junto com outros medicamentos, como alguns antibióticos, anti-inflamatórios, e anticonvulsionantes.” O médico também afirma que a pílula não prejudica a fertilidade e que fumantes, mulheres com histórico de trombose na família, pacientes com enxaqueca frequente, obesas, diabéticas e hipertensas mal controladas devem evitar tomar a pílula. “Mulheres fumantes com mais de 35 anos, ao tomar o medicamento tem mais chances de desenvolver derrame, infarto e aumento da pressão arterial”, finaliza.

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