Saúde

Diabetes na infância e adolescência: como lidar?

17 de julho de 2017
Diabetes na infância e adolescência: como lidar?

Aprenda a ajudar crianças adolescentes a lidar com o distúrbio e viver de maneira saudável

 

O diabetes não é exclusividade de adultos: maus hábitos alimentares e sedentarismo aproximam cada vez mais o distúrbio das crianças e adolescentes e colocam em risco seu desenvolvimento.

O surgimento do diabetes mais comum, o tipo II, está intimamente ligado a um estilo de vida pouco saudável. Contudo, entre os mais jovens, não são necessariamente as escolhas do cardápio que vão levar ao acometimento da doença – o tipo I, mais prevalente nessa faixa etária, não é passível de prevenção e está ligado a fatores ainda pouco conhecidos pelos médicos – razão pela qual os pais devem ficar ainda mais atentos aos possíveis sintomas.

Embora portadores de diabetes tipo I sejam geralmente magros, os exercícios físicos (especialmente os de resistência, que fortalecem a musculatura) são indispensáveis para a manutenção da saúde, pois ajudam a controlar a glicemia.

Fatos sobre o diabetes

Veja no infográfico abaixo, alguns fatos sobre o diabetes juvenil.

Infográfico Diabetes

De acordo com a nutricionista Joanna Carollo, o enfrentamento da doença costuma ser mais brando nessa fase da vida, mesmo com as mudanças necessárias “É fato que o controle da ingestão de açúcar e carboidratos deverá ser feita, assim como na diabetes tipo II. Porém, neste caso, geralmente não existem outras doenças crônicas relacionadas, o que torna a alimentação menos restritiva. Na realidade, a dieta de um jovem diabético (do tipo I) é simplesmente o cardápio saudável que qualquer pessoa deveria seguir: equilibrado, rico em fibras e nutrientes e, principalmente, restrito em relação aos doces e refinados. A única diferença é que por ser dependente de insulina, ele deverá aplicar o hormônio de acordo com a ingesta alimentar”.

Controle glicêmico: desafio maior

Conviver bem com o diabetes requer, necessariamente, um bom controle glicêmico. “É através do tratamento adequado e da alimentação regrada que o diabético conseguirá manter as taxas de açúcar no sangue estáveis, evitando os picos e, consequentemente, afastando as chances de complicações” – explica a especialista.

Contudo, essa tarefa pode se tornar mais árdua numa fase em especial: a adolescência. “Na infância, normalmente são os pais os responsáveis pelo tratamento e, principalmente, pela alimentação da criança. Mas com o passar dos anos o jovem começa a ganhar certa independência em relação aos cuidados e, nesse momento, pode se descuidar da dieta, dando margem a um descontrole da glicemia. Joanna afirma que é preciso que os pais transmitam tranquilidade em relação ao enfrentamento da doença e também demonstrem aos filhos que a disciplina é o melhor caminho para ter qualidade de vida, sem abrir mão dos prazeres ocasionais.

O cardápio

Uma das primeiras instruções do tratamento para os jovens com Diabetes tipo I, que precisa do uso de insulina, é a “contagem de carboidratos”, em que ele calcula a quantidade de insulina necessária sempre que for comer algo capaz de aumentar sua glicemia. Mas não basta apenas calcular, é preciso saber escolher quais carboidratos vão compor a dieta. Esses pacientes devem optar pelos carboidratos complexos que, por liberarem açúcar mais lentamente no organismo, sobem menos a glicemia. Dessa forma, evita-se tanto o pico da glicemia, quanto sua queda brusca (hipoglicemia), que também é prejudicial aos diabéticos.  É fundamental que o cardápio conte com fontes de fibras (que podem os próprios carboidratos na sua forma integral) e proteínas, como carnes magras, ovos, leite desnatado (ou de fontes vegetais) e derivados lácteos próprios para diabéticos.

Como precisam manter o controle glicêmico, é recomendado fracionar a alimentação em até seis pequenas refeições ao dia, geralmente a cada 3 horas, atentando sempre para que essas refeições contenham todos os grupos alimentares: gorduras boas, carboidratos complexos (de forma moderada), proteínas e fibras. O jovem não deve jamais pular refeições ou ficar muito tempo sem comer (com o intuito de evitar as aplicações de insulina), pois isso pode levá-lo a um quadro de hipoglicemia.

Engajamento familiar

Um dos pontos mais importantes do tratamento é o acolhimento da família, especialmente em relação à dieta. Incorporar ao cardápio familiar, na medida do possível, algumas mudanças impostas ao adolescente ajuda a melhorar sua percepção em relação aos cuidados, fazendo com que ele encare essa nova rotina de maneira mais leve. “Quando a família também “abraça” essa mudança, melhorando a qualidade da alimentação, o jovem não se sente “excluído” e passa a ver a dieta como algo natural. Sem as “tentações” em casa, também fica mais fácil manter a disciplina em outras situações, quando as refeições não são monitoradas pelos pais, por exemplo. No final das contas, todos ganham em saúde”. – conclui a nutricionista. 

 

 

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