Alimentação

Sal refinado engorda mais do que excesso de calorias

6 de janeiro de 2019
Sal refinado engorda mais do que excesso de calorias

Estudo aponta que consumo de sal branco seria mais decisivo no risco de obesidade do que a ingesta calórica

Um consumo elevado de sal refinado pode estar diretamente relacionado ao aumento do risco de desenvolvimento de obesidade, independentemente da ingesta de calorias. É o que sugere um estudo realizado com 458 crianças e 785 adultos publicado no periódico norte-americano Hypertension, da Associação Americana do Coração.

Segundo o médico endocrinologista especialista em nutrologia Mohamad Barakat, quando ingerido, o sal branco vai direto para o sangue, onde se espalha pelo corpo e absorve a umidade do organismo.

“Na tentativa de manter o equilíbrio e normalizar a falta de água, nosso sistema circulatório aumenta sua pressão arterial para tentar fazer o sangue circular mais rápido. Os vasos não estão acostumados com essa quantidade e acabam se contraindo, o que aumenta o trabalho do coração e leva ao desgaste do músculo”, explica.

Estudos anteriores já haviam relacionado a ingestão de sal branco à obesidade, mas sempre de forma indireta. Alguns exemplos seriam o ciclo de consumo ocasionado pela sede proveniente de sua ingestão, que torna mais comum o consumo de bebidas industrializadas ricas em açúcar, ou mesmo o consumo concomitante de alimentos mais calóricos, como comidas prontas, ricas em sal e calorias.

Dessa vez, porém, a pesquisa levou em consideração exames de urina realizados em adultos e crianças para detectar o mineral, cruzando os resultados com informações como sexo, idade, etnia, renda, educação, hábitos como fumo e álcool, atividade física e consumo de calorias. Após ajustar todos esses fatores, os cientistas perceberam que uma ingesta de sal refinado maior está diretamente relacionada à quantidade de gordura corporal. A ingestão de um grama a mais de sal branco por dia está associada a um risco maior de obesidade de 28% em crianças e 26% em adultos.

“O problema não é o sal em si, mas seu refinamento. Existem opções saudáveis como o sal rosa, sal marinho ou até mesmo o sal grosso. Nenhum deles passa pelo processo industrial e mantém todas as suas propriedades nutritivas, como diversos outros minerais, sem deixar de ser delicioso. É uma troca simples e extremamente benéfica, fundamental para quem quer manter a saúde em dia”, finaliza Barakat.

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