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O que causa insônia? Pode ser a genética

Atualizado em 5 de abril de 2019
O que causa insônia? Pode ser a genética

Se você dorme mal e não consegue um remédio para insônia, saiba que a causa pode estar nos seus genes, segundo pesquisa

O que causa a insônia? Existem muitos fatores externos que podem resultar na dificuldade para dormir ou impossibilidade de dormir durante uma noite toda. O fato é que os distúrbios do sono afetam cerca de 40% dos brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro do Sono em 2018. Ou seja, quase metade do nosso país enfrenta problemas na cama. Bastante coisa, não é mesmo?

E uma nova pesquisa sobre o que causa a insônia aponta resultados intrigantes. Liderada pela Universidade de Exeter e publicada na revista científica Nature Communications, o estudo encontrou 47 ligações entre o nosso código genético e a qualidade, quantidade e tempo de sono. Eles incluem dez novas ligações genéticas com a duração do sono e 26 com a qualidade do sono.

O estudo foi financiado pelo Medical ResearchCouncil e analisou dados de 85.670 participantes do banco britânico Biobank e 5.819 indivíduos de outros estudos, que usavam acelerômetros – aparelhos de pulso (semelhantes a um Fitbit) que registram os níveis de atividade continuamente. Eles usaram os dispositivos vestíveis continuamente por sete dias, que forneciam informações mais detalhadas sobre seus hábitos de sono.

Entre as regiões genômicas descobertas está um gene chamado PDE11A. A equipe de pesquisa descobriu que uma variante incomum desse gene afeta não apenas quanto tempo você dorme, mas também sua qualidade de sono. O gene foi identificado como um possível alvo de drogas para o tratamento de pessoas com transtornos neuropsiquiátricos associados à estabilidade do humor e aos comportamentos sociais. Possivelmente trará avanços no setor de remédios para insônia.

O estudo também descobriu que uma maior circunferência da cintura maior resultava em menos tempo de sono. Embora o efeito tenha sido muito pequeno – cerca de 4 segundos a menos sono por um centímetro de cintura a mais do que alguém com a circunferência média do quadril de 100 centímetros.

A pesquisa envolveu profissionaiss do Centro para o Sono e Neurobiologia Circadiana na Pensilvânia, no Hospital Geral de Massachusetts, bem como na Holanda, França e Suíça. Eles descobriram que coletivamente, as regiões genéticas ligadas ao sono de qualidade também estavam relacionadas à produção de serotonina – um neurotransmissor associado a sentimentos de felicidade e bem-estar. Sabe-se que a serotonina desempenha um papel fundamental nos ciclos do sono e é teorizada para ajudar a promover um sono mais profundo e mais tranquilo.

“Sabemos que dormir o suficiente melhora a nossa saúde e bem-estar, mas ainda sabemos pouco sobre os mecanismos em nossos corpos que influenciam a forma como dormimos. Qualidade, quantidade e tempo estão fortemente associados a várias doenças humanas, como diabetes e obesidade, e transtornos psiquiátricos”, explica o autor sênior da pesquisa, Dr. Andrew Wood, da Universidade de Exeter Medical School.

Outras causas da insônia

É claro que existem pessoas que não são insones crônicas, mas passam por períodos de sono atribulado, o que não necessariamente significa que sofram com distúrbios do sono ou precisem de remédio para insônia.

Conheça alguns deles, listados pelo Instituto Brasileiro do Sono:

Terror noturno

Cerca de 3% das crianças apresentam o quadro em algum período de sua vida, especialmente entre 5 e 7 anos de idade. Menos de 1% dos adultos apresentam este distúrbio do sono. A pessoa com terror noturno costuma sentar-se na cama com expressão de medo e batimentos cardíacos elevados, respiração rápida e sudorese. Os episódios levam em média de 30 segundos a 5 minutos. De maneira geral, quem sofre com isso volta a dormir em seguida, sem se lembrar do episódio. Febre ou emoções marcantes, como alegria, tristeza, raiva, podem ser gatilhos.

Apneia do sono

Mais comum do que parece, a apneia, que causa muitas vezes o ronco, é nada mais que que a frequente obstrução total (apneia) ou parcial (hipopneia) das vias aéreas superiores durante o sono, causando diminuição da oferta de oxigênio ao organismo que para se manter vivo tem que se acordar para voltar a respirar, levando à privação de sono. Grupos de risco são pessoas obesas, homens, pessoas com alterações craniofaciais (ex. queixo pequeno, língua grande), aumento do tamanho das tonsilas palatinas e faríngeas (amígdalas e adenóide), aumento da circunferência cervical, obstrução nasal, familiares com história de ronco e apneia do sono, anormalidades endócrinas (ex. doenças da tireóide e acromegalia), uso de álcool, tabagismo, uso de calmantes, cansaço excessivo e idade avançada.

Ansiedade

As crises de ansiedade, que podem englobar depressão, obsessão e pânico, podem, sim, levar à insônia ou a um padrão de sono pouco regular – ou seja, sentir muito sono quando não se pode dormir e pouco sono na hora de descansar.

Síndrome das pernas inquietas e insônia

O grupo de pesquisadores também encontrou mais evidências de que a Síndrome das Pernas Inquietas está ligada ao pior sono das variantes genéticas que parecem estar associadas a medidas de sono derivadas dos dados do acelerômetro.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Sono, os movimentos mais freqüentes relacionados com o sono são os movimentos bruscos do corpo, as mioclonias (abalos musculares), MPP (movimento periódico das pernas) e SPI (síndrome das pernas inquietas) que acontecem geralmente no início do sono.

Pacientes que sofrem com a síndrome das pernas inquietas SPI afirmam sentir um irresistível movimento de membros inferiores acompanhado de sensações de “arrastamento” das pernas. Estes movimentos podem fazer o paciente acordar, o que pode diminuir o sono e causar a insônia.

Fonte: Eurekalert, IBGE e Instituto Brasileiro do Sono

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