Saúde

Grupo de mulheres cria “Google” para saúde feminina

Atualizado em 10 de outubro de 2019
Grupo de mulheres cria “Google” para saúde feminina

Pesquisar sintomas no Google ganhou um aliado com mais credibilidade, uma plataforma alimentada por especialistas

Há muitas informações erradas na internet sobre a saúde da mulher.

Perguntas que vão de “mulheres podem ejacular?” a sintomas de câncer podem receber respostas diversas na web.

E quem nunca foi procurar uma respostinha para um sintoma ou mau estar na internet, que atire a primeira pedra, não é mesmo?

A busca por uma resposta direta e a falta dessas respostas espelha a experiência que muitas mulheres têm ao buscar informações sobre sua saúde e seus corpos online.

O fato de os médicos geralmente dispensarem ou minimizarem as preocupações com a saúde das mulheres está bem documentada. Quando se trata de problemas de saúde reprodutiva – dor durante o sexo, fluxos menstruais intensos, cólicas debilitantes – a resposta “é normal” é comumente usada para encerrar perguntas.

Início da plataforma 

Frustrada com a falta de informações claras disponíveis on-line e os inescrutáveis ​​diagramas que a acompanham, a jornalista Zoe Mendelson procurou a amiga María Conejo, com uma ideia: fazer um recurso online e colaborativo, acessível, cheio de informações, especificamente sobre a anatomia feminina e seu sistema reprodutivo, pensando nessa oferta de maluquices e inconsistências, para ajudar mulheres que buscam respostas sobre sua saúde e seus próprios corpos na rede e homens que querem conhecer mais sobre elas.

A plataforma recebeu o nome de Pussypedia e foi lançado no dia 1º de julho. Sem tabus ou julgamentos de valor, a Pussypedia aborda temas como lavagem adequada das partes íntimas femininas, masturbação, formas de contracepção, camisinhas, vibradores, congelamento de óvulos, DSTs, fertilidade, menstruação, gravidez, pós-parto, TPM, infecções, barriga de aluguel e muitos outros assuntos.

O site está disponível em espanhol e em inglês. Mendelson e Conejo trabalharam com uma gama diversificada de mais de 100 artistas e jornalistas para reunir informações.

Tudo o que é publicado no site é “hiper-checado por fatos”, diz Mendelson, por ginecologistas e pesquisadores médicos (embora não seja, enfatizam, um substituto para uma opinião médica em pessoa).

Não substitui o médico 

Isso é algo que elas realmente reiteram, que a Pussypedia não é um substituto para aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. É apenas uma ferramenta utilizada para fins de educação geral e autoconhecimento.

Ler o site não faz com que uma pessoa não precise ir ao médico, por exemplo, mas significa que sua primeira dúvida será sanada de maneira eficiente e com credibilidade, sem oferecer o risco que alguns conselhos irresponsáveis da internet podem oferecer.

Portanto, não demore nunca a ir ou não deixe de ir ao médico por causa do que você lê na plataforma. E, outro conselho, nunca vá contra o que seu médico disse por causa do que você leu na Pussypedia, pedem as criadoras do site.

Os recursos oferecidos também incluem informações curadas e examinadas de outros lugares da web, como revistas médicas, mas escolhem as mais essenciais e abrangentes. Inicialmente financiado no Kickstarter, todo o processo de montagem do Pussypedia levou pouco menos de dois anos.

Mendelson e Conejo usam o termo “pussy”, que soa um pouco chulo em inglês, porque é abrangente, inclusivo e conhecido. A palavra “vagina”, que é mais comumente usada, refere-se apenas a uma parte específica do sistema reprodutivo feminino.

Através do recurso, eles querem significar uma combinação de vagina, vulva, clitóris, útero, bexiga, reto, ânus e quem sabe talvez alguns testículos, escrevem as co-criadoras no site, enquanto pontuam a falta de linguagem adequada para a anatomia feminina e seu tabu.

Foco na anatomia feminina

Elas também observam que, embora sejam mulheres cisgêneras, e o recurso se relaciona especificamente à anatomia feminina, “o foco do site na genitália visa abordar essa lacuna específica de informação, não sugerir que essa parte do corpo define sexo ou gênero.

Mendelson e Conjeo acrescentam que por mais que as informações sejam ínfimas para as mulheres cis, é ainda mais inexistente para as pessoas trans, não binárias e intersexuais, portanto, enfatizam que o trabalho da Pussypedia é um começo e pode se expandir para incorporar recursos para muito mais gêneros e expressões.

Mas eles estão trabalhando para tornar as informações que apresentam o mais acessíveis possível. O aspecto bilíngue é especialmente importante para o alcance dos recursos, diz Conejo.

Segundo ela, por crescer no México, “nós não tivemos nenhuma educação sexual, ou se nós fizemos, foi de uma perspectiva religiosa”, diz ela, pois, “As mulheres são criadas com tanta vergonha sobre sua própria sexualidade, e se sentem que há algo errado com seu corpo, elas aprendem a não falar sobre isso.” Criar um recurso que as mulheres possam procurar, sem julgamento, por respostas, foi crucial , diz ela. Conejo e Mendelson esperam que o Pussypedia seja útil para mulheres de vários contextos.

Caso queira visitar o site, pesquisar e compartilhar, o endereço é https://www.pussypedia.net/. Lembre-se, o conteúdo está todo em inglês e espanhol.

 

Fonte: Fast Company

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